Arquitetando Estilos

Amor de Verão

Eu sempre tento ser uma pessoa positiva. Mesmo parecendo que vivemos em uma espécie de nova versão de 2016, como um 2016s por exemplo, eu acredito num ano novo. Acredito que as coisas acontecem porque tem que acontecer, acredito nas pessoas, no futuro, no aprendizado com o passado. Eu acredito em mim mesmo. Não me martirizo pelas decisões de um ano que se passou porque como conversei com um amigo há pouco, se não tivesse vivido o que vivi, não estaria hoje onde estou. Então eu agradeço. Feliz 2017.

E quando vemos, janeiro já se despede.

Mas como bem faz a vida, a cada velha despedida, um novo olá. Despeço-me de janeiro assim como me despeço das merecidas férias, visitas à praia, ondas, areia e ao amor de verão.

Tem amores que não tem outra natureza senão a de partir. É o combustível deste tipo de amor. O verão, afinal, se aproxima do fim, a rotina bate na porta, meus pés encontram a areia no fundo do mar e preciso voltar a mim: era, de fato, amor de verão.

Como disse Meryl Streep em seu memorável discurso no Golden Globes, lembrando da eterna Princesa Leia “take your broken heart make it into art”.

 Então, vamos às artes:

Exposições

– Mas há informações que vocês dois fizeram uma obra-prima de seu casamento.

 – Vamos doá-lo ao Louvre (…) Já foi aceito pelo governo francês

O Museu Oscar Niemeyer está de parabéns. Das exposições que vi, nenhuma deixou a desejar. Pensando nisso e no momento em que este texto vai ser publicado, destaco três. Uma de arte moderna, outra do pai da pintura no Paraná e, por fim, uma exposição que contempla a cor (e suas maravilhosas combinações).

Arte Moderna na Coleção da Fundação Edson Queiroz

Até o dia 26 de fevereiro, a mostra traz obras de diversos artistas brasileiros ou de artistas estrangeiros residentes no país. Você pode conferir os trabalhos de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Iberê Camargo, Calderari, Tomie Ohtake (…). Num espaço amplo, com as obras bem dispostas, é um lugar ótimo para quem gosta de passar um bom tempo no museu. Foi lá que eu vi duas jovens discutido a obra “Vermelho e preto” de Iberê Camargo: “O que ele quis dizer aqui?” uma perguntou para a outra. O silêncio foi geral.

 Trajetória: 114 anos da Escola de Alfredo Andersen

Nascido na Noruega, foi em 1902 que chegou em Curitiba. Por aqui, Andersen ficou. Na sua casa fez seu ateliê que depois abriu-o para a comunidade. Foi lá que foi professor de um grande número de artistas. A exposição conta com obras de Andersen – que retratam o Paraná, personalidades da época e cenas do cotidiano. Além disso, o MON nos mostra seu local de trabalho e ferramentas que usava para pintar. Uma exposição maravilhosa. Aberta ao público até 5 de março.

Gonçalo Ivo: A Pele da Pintura

Quase 100 obras são apresentadas ao público. Dessas, muitas trazem combinações de cores que eu nunca tinha imaginado. Tirei algumas fotos por lá e eu garanto, ficaram lindas. O artista nos mostra essas possibilidades das cores em pinturas, aquarelas e objetos feitos com caixas de charutos. Até o dia 26 de fevereiro.

 Cinema

Por que a vida deveria se intrometer conosco, artistas?

O Oscar é dia 26 de fevereiro e a corrida para ver todos os filmes indicados antes desta data está a todo vapor. Eu sempre tento fazer essa proeza, raramente consigo. Depois de ver o maior número de filmes, na grande noite no cinema, eu e meus amigos nos juntamos e ficamos torcendo juntos, comemorando ou reclamando daqueles que não concordados e que levam a estatueta. Foi com eles que vi Leonardo DiCaprio ganhar, bem como J.K. Simmons em “Whiplash – Em Busca da Perfeição” e também Cate Blanchett por “Blue Jasmine”.

Alguns filmes do Oscar ficam pouco tempo em cartaz. Indico alguns cinemas que tem maiores chances de passar esses filmes:

Espaço Itaú de Cinema Curitiba

 Rua Comendador Araújo, 731 – Batel

 Cineplex Batel

 Alameda Dom Pedro II, 255 – Batel

 Cinemateca Curitiba

Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco

Dos filmes que eu já vi e que indico de olhos fechados:

A Chegada

Melhor Filme, Melhor Design de Produção, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som, Melhor Fotografia, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição

Estrelas Além do Tempo

Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz Coadjuvante – Octavia Spencer

Florence: Quem é essa mulher?

Melhor Figurino, Melhor Atriz – Meryl Streep

Sully: O Herói do Rio Hudson

Melhor Edição de Som

Doutor Estranho

Melhores Efeitos Visuais

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Melhor Figurino e Melhor Design de Produção

4.1 Miles

Melhor Documentário em Curta-Metragem

*Documentário disponível gratuitamente em: http://migre.me/vYwog

Com o título de “A morte está em cartaz” da revista Época de 23 de janeiro, destaco o tema do luto na premiação. Três filmes são citados: Manchester à beira-mar, Sete minutos depois da meia noite e Jackie. Em tempos cheios de Trumps, a melancolia pode ganhar força. Segue uma parte da matéria: “Seria tentador enxergar a atual ênfase no luto como uma reação às turbulências de 2016, mas a indústria cinematográfica não se move tão rapidamente. Mesmo sem esse impulso, esses filmes tentam responder às aflições do mundo contemporâneo.”

Ainda falando dos indicados, comemoro o recorde de indicações de atores negros na história da premiação. São eles: Denzel Washington (Melhor Ator), Ruth Negga (Melhor Atriz), Mahersala Ali (Melhor Ator Coadjuvante), Viola Davis, Octavia Spencer e Naomie Harris (Melhor Atriz Coadjuvante).

Na categoria de Melhor Filme, três dos nove filmes indicados são protagonizados por negros. São os longas: Moonlight: Sob A Luz do Luar, Estrelas Além do Tempo e Um Limite Entre Nós.

Dia 26 de fevereiro, você não pode perder. No canal TNT você começar a assistir às 21h com a transmissão do tapete vermelho.

Curitiba & Gastronomia

– Seu marido não fica zangado por você passar tanto tempo fora de casa?

– Sim. Fica tão bravo que tenho que sair mais vezes para evitar brigas.

Já faz algum tempo que eu indiquei a Vicente Machado como ponto em Curitiba para ir com os amigos. Na verdade, foi no meu primeiro texto para a AE. De lá para cá, algumas coisas mudaram: outros pontos da capital floresceram, o Greca ganhou as eleições e o público mudou. Na Vicente, agora temos a Balada Protegida. Críticas à parte, é sim uma operação necessária mas também desproporcional. Fazer bafômetro em pedestre, eu nunca vi. De qualquer maneira, o público está tomando as calçadas de um local um pouco mais longe da casa do Prefeito Greca, a rua Coronel Dulcídio, onde fica o

Hauer Shopping

É neste shopping de rua que estão os seguintes locais: The Fish & Chips English Pub, Chicano, Templo da Cerveja, X-Picanha, Flango, Whatafuck e mais. Nestes locais, você pode comer pastel, hambúrguer, tomar uma cerveja, ouvir música e encontrar muita gente. Além de ser próximo da Vicente Machado, é perto de muitas casas noturnas curitibanas.

Para quem gosta, como eu, de ficar na rua com os amigos, a Coronel não deixa a desejar.

Música

Bem, suspirou distraidamente, deveria haver alguma coisa para se fazer depois de um sucesso.

Eu amo ir à shows desde muito pequeno. Meu primeiro show foi na Pedreira Paulo Leminski para assistir The Black Eyed Peas, depois foi a vez de Evanescence, o festival Lupaluna, onde vi pela última vez o cantor Chorão, ainda fui no Rock in Rio sozinho para ver Elton John e por aí vai. E para todo amante de shows, 2017 chegou prometendo deixar 2016 no chinelo. O ano mal começou e The Maine e Ed Sheeran já confirmaram presença aqui em Curitiba.

Ed Sheeran

Na Pedreira Paulo Leminski, dia 23 de maio. A pré-venda dos ingressos começará no comecinho de março, dia 07. O cantor ganhou o Grammy de Melhor Canção em 2016 com “Thinking out loud”, que inclusive minha prima dançou na sua festa de 15 anos.

The Maine

O local ainda não foi revelado. Mas o que a gente já sabe é que o show vai ser no dia 19 de julho. A banda é classificada como alternativo, rock, emo e todos esses estilos do meio. Fique ligado para não perder a data de início de venda dos ingressos.

Literatura

– Oh, David – ela soluçou. – Sou orgulhosa demais para me importar… o orgulho me impede de sentir metade das coisas que deveria sentir.

Foi no dia nove de janeiro deste ano, parecidíssimo com 2016, que Zygmunt Bauman morreu. Foi sociólogo e escreveu diversos livros que, em sua grande maioria, criticam a forma como levamos a vida nos dias de hoje. Eu li “Vida Líquida”, minha mãe, como livro de férias, resolveu ler “Amor Líquido”. Bauman afirma que só o lixo, “infelizmente” – nas suas palavras, é sólido e durável. De resto, tudo o que somos e temos, é líquido. Por isso, o “Vida Liquida”.

Nas férias li “Adeus, China” de Li Cunxin. Ganhei este livro de natal de uma tia que é chinesa. Ela já me explicou um pouco de mandarim, mas ainda não tomei coragem para aprender. O livro conta a história do bailarino Li Cuxin que sai de uma China pobre e tem a oportunidade de dançar nos Estados Unidos. Um imigrante buscando uma vida melhor. Coincidência? Eu acho que não. O livro é maravilhosamente bem escrito, me colocando junto à miséria chinesa da era de Mao até o brilho no olhar de quem vê na América as liberdades individuais. Em um momento, Li Cunxin está seguindo os ratos da sua vila porque sabia que eles estocavam comida e em outro momento Cunxin está dentro da Casa Branca com medo de ser deportado para a China.

Quantas histórias de vida precisamos ver e ouvir para aprendermos que só vamos crescer enquanto humanidade quando abrirmos nossas fronteiras e ajudarmos os nossos vizinhos? Difícil falar sobre isso em pleno século XXI.

Bauman, voltando a ele, nos diz em seu livro “… a guerra que é simplesmente outra versão atualizada e remontada da eterna luta entre liberdade e segurança – as duas qualidades igualmente indispensáveis e cobiçadas, reconhecidamente difíceis de conciliar, de qualquer vida humana suportável ou desejável.”

Vida Líquida – Zygmunt Bauman

Adeus, China – Li Cunxin

Todas as frases e diálogos que abriram cada um das categorias deste texto foi tirado do livro “Esta Valsa É Minha” de Zelda Fitzgerald. Esposa de F. Scott Fitzgerald, autor do livro “O Grande Gatsby”, Zelda escreveu esta obra em seis semanas. Isso mesmo, seis semanas. Recomendo.

Se você tem alguma crítica, alguma sugestão ou elogio, escreva para mim. Obrigado e até a próxima.

Eduardo Martinesco

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Sobre Eduardo Martinesco

Jornalista, Curitiba - PR.

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