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ANAFILAXIA. Esse fantasma que ronda…

Se existe uma única palavra que é sinônimo de pânico em pacientes com Alergia Alimentar é esse, por isso hoje vamos esclarecer vários aspectos sobre Anafilaxia e aprender a lidar com esse fantasma.

Anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave e rápida desencadeada geralmente  por uma substância chamada alérgeno. A reação anafilática pode ser provocada por quantidades minúsculas do alérgeno.

Anafilaxia representa uma das mais dramáticas condições clínicas de emergência médica. Sim, isso é verdade. Trata-se de reações que ocorrem de forma bastante rápida, bastando , na maioria das vezes, apenas alguns minutos após a exposição ao alérgeno para iniciarem os sintomas. Sintomas estes com grande potencial de gravidade. O tipo mais grave de anafilaxia, o Choque  Anafilático, pode ocasionar  a morte caso não seja tratado.

E como podemos identificar uma anafilaxia?

Pois bem, vários sintomas podem ocorrer e não necessariamente todos ao mesmo tempo:

  • sintomas de pele: vermelhidão, placas, inchaços (até mesmo edema de glote);
  • sintomas respiratórios: falta de ar, tosse, rouquidão, dificuldade para respirar;
  • sintomas gastrointestinais : dores abdominais, vômitos, diarreia;
  • sintomas cardiovasculares: pressão baixa, sensação de fraqueza, dor no peito, taquicardia (batedeira), síncope.

Anafilaxia

Os órgãos envolvidos na reação anafilática, assim como a gravidade dos sintomas variam de caso para caso. Muito importante é a sua identificação para que o tratamento seja imediatamente instituído.

As alergias alimentares estão entre os maiores causadores de Anafilaxia, mas também reações a picadas de insetos himenópteros (abelhas,vespas e formiga lava-pés) e medicamentos são comumente envolvidos neste tipo de reação.

Recordando sempre nossa conversa sobre Diagnóstico de Alergias Alimentares (CLIQUE AQUI), sabemos que as alergias alimentares que geram risco de reação anafilática são aquelas MEDIADAS POR IgE. O mecanismo fundamental nas reações anafiláticas são as Imunoglobulinas da classe IgE. Funciona assim: a pessoa se sensibiliza a um determinado alimento (proteína alergizante) após ter tido contatos vários com ele, isto é, depois de ter comido aquele alimento algumas vezes.

Em alguns casos a sensibilização ocorre através das proteínas alimentares que passam para o bebê através do leite materno.

O organismo reconhece aquela proteína como estranha e produz anticorpos da classe IgE contra ele. Na próxima vez que a pessoa ingerir aquele alimento, o organismo “despeja” aquelas IgE específicas contra aquela proteína  na corrente sanguínea e é assim, a grosso modo, que ocorrem as reações anafiláticas. Essas reações são bastante rápidas, desde minutos até 2 horas após a ingestão e de gravidade variável.

A base para o sucesso no tratamento de um episódio de anafilaxia é a rapidez das ações e a medicação que salva a vida nesses casos é a Adrenalina.

A Adrenalina deve ser a primeira medicação a ser administrada em casos de anafilaxia!

É importante ressaltar que os casos de anafilaxia fatal devem-se na maioria da vezes à administração tardia da Adrenalina ou mesmo à não administração dela.

TODOS os pacientes com diagnóstico de ALERGIA ALIMENTAR MEDIADA POR IgE devem ter consigo um Plano Emergencial, por escrito, contendo orientações quer seja para a identificação inicial de um provável quadro anafilático bem como a prescrição de medicamentos para combatê-la. Isso não subtrai a necessidade de atendimento emergencial em um Pronto Socorro para que se dê continuidade a esse tratamento.

A Adrenalina auto-injetável é de vital importância e esses pacientes devem portá-la.

É muito frequente pessoas “presumidamente” alérgicas a um determinado alimento comentarem que fazem uso de um antialérgico ou mesmo um corticoide via oral ANTES de ingerir tal alimento com o intuito de prevenir reações. Essa atitude não tem nenhuma fundamentação e, de forma alguma previne reações graves. É um grande risco agir desta forma. O melhor seria uma avaliação médica para definir o diagnóstico ou não de alergia alimentar e receber as orientações corretas de como proceder em caso de ingestão acidental.

E se for a primeira vez?

Sintomas de anafilaxia grave são bastante exuberantes e as pessoas podem até não saber que se trate de anafilaxia, mas é perceptível tratar-se de um mal súbito e grave. O atendimento emergencial por uma equipe bem treinada fará o diagnóstico da Anafilaxia e tomará a devida conduta. Passado o susto e recebida a alta, é a hora de procurar um médico Alergista para investigar a causa da Anafilaxia e lhe passar as devidas orientações. Como nas alergias alimentares o risco de contato ou ingestão acidental do alimento é muito alto, essa avaliação alergológica deve ser o mais rápido possível.

Se você se interessou por esse assunto, sugiro que siga a página “Anafilaxia Brasil”- www.anafilaxiabrasil.com.br  que vem ajudando tantos pacientes e seus familiares com informações precisas dadas por profissionais capacitados e com o aval da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).

Anafilaxia-BRFica a dica e até mais.

Ana Paula Juliani

Sobre Ana Paula Juliani

CRM 13736 – PR
Especialista em Alergia e Imunologica clínica pela ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia)
Pediatra pela SBP ( Sociedade Brasileira de Pediatria)
Especialização em Alergia Alimentar na Universidade “La Sapienza”- Roma.
Membro do Comitê de Alergia Alimentar da ASBAI de 2013 a 2017.
Londrina - PR.

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1 comment

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  • Maria Eunice - 5 de julho de 2017

    Excelente artigo.

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