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Cadê a euforia da paixão? O amor encobriu!

No início a euforia da paixão toma conta da mente dos casais apaixonados, causando sensações potencializadas de bem-estar, onde os “defeitos” não aparecem e tudo parece ser lindo e maravilhoso, como se flutuassem em nuvens. É um deslumbramento, em que não conseguimos ver o outro como exatamente és, e passamos a enxerga-la com o seu melhor. A excitação se torna presente constantemente, pois o desejo sexual inicialmente é movido pela paixão. Tudo parece um conto de fadas, não é mesmo? Mas não dura para sempre, afinal, é uma fase ilusória do relacionamento, em que não há racionalidade. A paixão é um estado passageiro, que se dilui com o tempo, podendo retornar em alguns momentos do casal.

Mas falar que quando esta paixão inicial se extingue significa interromper o relacionamento? Ou significa algo ruim? Acredito que não.

A paixão excessiva também pode provocar prejuízos e se tornar um grande problema, pois pode-se perder o equilíbrio e vivenciar constantemente algo irreal, podendo desenvolver um amor obsessivo e compulsivo, dando uma abertura ao aparecimento de atos passionais, perigosos, desestruturando o emocional da pessoa apaixonada de forma exagerada e da outra pessoa envolvida no relacionamento. Neste caso, a procura por um tratamento se torna importante.

Quando a paixão é saudável, pode se transformar em uma linda história de amor. E nesta história, é necessário aprender a lidar com as diferenças entre cada um, frustrações, perdão, compreensão, desentendimentos entre outros aspectos que podem incomodar um pouco a realidade de muitos, mas que fazem parte quando falamos de relacionamentos. Há quem diga então que seria melhor ficar sozinho do que enfrentar estas emoções. Vou contar um segredo, elas não aparecem apenas em relacionamentos afetivos, mas em todos os contextos de nossa vida. Devemos saber enfrenta-las na família, com amigos, no trabalho, enfim, quando juntamos duas ou mais pessoas, precisamos vivenciar certas emoções como uma forma de crescimento.

Conforme o relacionamento vai amadurecendo, criando força, o amor vai surgindo e a paixão vai se amenizando. É como se o amor encobrisse a paixão, e isto pode incomodar muitos casais, pois o fogo inicial fica brando, aquele frio na barriga já não é tão presente, o suor e aceleração dos batimentos cardíacos só aparecem no sexo, aquele entusiasmo diminui e a intimidade vai se construindo. Incomoda quando queremos que todas essas sensações estejam presentes em todo o tempo do relacionamento, até o fim. Mas não é bem assim que acontece. Momentos de paixão podem sim estar presentes, mas com o amor, vai se transformando em sensações de paz e tranquilidade.

Esta paz não deve ser monótona e entediante. São as pessoas que tornam o amor entediante, deixando que o comodismo faça parte constante do relacionamento, e não se reciclam, não são pessoas criativas e com atitudes a ponto de vivenciarem este amor da melhor forma que conseguem, sem o tédio de passar os dias e tudo ser da mesma maneira. Isso sim é chato.

Investimos no outro quando estamos apaixonados, e deixamos de investir quando começamos a amar. Isto está errado. O amor alegre requer investimento, rompendo a preguiça de pensar e buscando inovar. Apenas com criatividade que o fogo da paixão pode reacender de vez em quando. Esta paixão não será igual ao início, mas pode aparecer de outras maneiras, que cada casal poderá conseguir vivenciar se maneira intensa, alimentando o amor.

O amor é uma história construída, que transpõe uma atração física, envolvendo preocupação, atenção e empatia. Muitas pessoas não conseguem ser empáticos no relacionamento, o que gera muitos conflitos entre o casal, e é neste ponto que muitas vezes dizem que se envolver afetivamente com outra pessoa é desgastante. Um relacionamento empático engrandece o amor. A empatia é a capacidade de um se colocar no lugar do outro e poder sentir as emoções que não são suas, como uma forma de compreensão e possível mudança. E isto pode promover sensações muito gratificantes para o casal.

Amar pode ter uma infinidade de sensações prazerosas, mas cada pessoa precisa saber tirar o melhor dele. É como a vida, se pararmos para analisa-la, possui altos e baixos, momentos bons e ruins. Se focarmos apenas nos ruins e nos momentos negativos, a vida não será tão boa como gostaríamos. Agora, mesmo com alguns problemas, tentamos driblar as dificuldades, procurando momentos que nos dão prazer e sensações de bem-estar, a alegria se torna presente.

Li uma frase de Martine Batchelor (escritora budista) que achei muito interessante, e gostaria de compartilhar com vocês:

“Alguns dos obstáculos a amar: a nossa agenda pessoal ou motivações, expectativas, necessidades e desejos. Temos que ter cuidado para que no amor não estejamos a procurar a nossa pessoa, uma réplica, um clone; ninguém pode ser exactamente como nós. O amor pode ajudar-nos a descobrir as nossas diferenças de modo que possamos enriquecer-nos por elas.”

A paixão pelo outro pode se transformar em amor, mas o fogo neste amor pode ser reacendido sempre de uma forma diferente, um dia o fósforo pode fazer essa função, em outro dia o isqueiro, o fogão a gás, o fogão à lenha, uma simples fogueira ou até uma churrasqueira, mas faça desse amor o melhor amor que você pode viver. Lembre-se que o amor não precisa ser chato!

Um forte abraço,

Adriana Visioli.

Adriana Visioli

Sobre Adriana Visioli

Psicóloga com especialização em Análise do Comportamento e Terapia Sexual e de Casal.
Cascavel - PR.

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