Arquitetando Estilos

Ditadura da beleza e suas influências: positivas x negativas

Semana passada estive em um programa de televisão falando sobre este tema, e achei muito importante trazer estas informações aos nossos leitores.

Os padrões de beleza estão cada vez mais presentes em nossa sociedade, com o crescimento das redes sociais (como uma forma de comunicação), o acesso e a busca por “padrões” têm se tornado frequente.

Celebridades expõe corpos esculturais, magros, definidos, musculosos, induzindo uma forma de padronizar o significado de beleza, influenciando na forma de cada pessoa se ver e se sentir com o seu próprio corpo.

A “ditadura da beleza” está concentrada mais para as mulheres, porém cada vez mais, homens tem se preocupado com o seu corpo, e tendo uma busca constante de uma satisfação de sua autoestima focando no corpo de outra pessoa.

A cobrança social é mais pesada para as mulheres do que para os homens, pois se analisarmos em um contexto sócio-histórico-cultural, a mulher é identificada pela sua vaidade e cuidados com sua aparência. Para os homens esta cobrança não é tão intensa, mesmo estando presente.

Não podemos generalizar, mas facilmente encontramos pessoas que não estão satisfeitas com o seu corpo, que acabam sendo prisioneiras dessa insatisfação e buscando excessivamente alternativas que prejudicam a saúde orgânica e emocional.

A não-aceitação do seu corpo pode provocar um sofrimento emocional, refletindo em diversos contextos na vida da pessoa.

Não digo que devemos aceitar nosso corpo da forma que ele é, sem fazer absolutamente nada quando estamos insatisfeitos, mas como tudo, devemos ter um limite, e este limite se distingue para cada indivíduo. Se estamos insatisfeitos, devemos identificar qual é essa insatisfação, se ela é real (ou seja, se a forma como vejo meu corpo é como ele realmente é), o que eu posso fazer para modifica-lo, quais serão as consequências positivas e negativas dessa busca, qual o peso de cada consequência em minha vida, e se quer ou não que ela aconteça.

São muitos questionamentos, mas relevantes quando direcionamos uma importância a nossa saúde. A busca em se conhecer, ou seja, olhar para si, ajuda a pessoa a responder estas questões, e possibilita identificar o que realmente está incomodando, ou o que começou a incomodar quando percebe que a outra pessoa não é da mesma forma. Muitas vezes estamos concentrados ao outro, e esquecemos de nós:

  • Quem sou?
  • Como me sinto?
  • Como eu penso?
  • Como me comporto?
  • Como quero ser?

E com essas respostas, identificar o que podemos mudar, buscando uma melhor qualidade de vida, com uma alimentação saudável e atividade física, dando atenção ao bem-estar emocional, não apenas a uma aparência física.

Este autoconhecimento é possível desenvolvê-lo, com uma percepção de si. A psicoterapia auxilia neste processo de se conhecer e responder as perguntas citadas acima.

Também nos conhecemos interagindo com o outro, identificando aspectos positivos e negativos em outra pessoa, nas relações e interações. O ponto favorável do que o outro expõe, pode nos proporcionar uma identificação com algo, e isto é bom. Mas não podemos nos perder nesse caminho, nos deixando de lado, e “sugando” apenas o que o outro nos oferece ou o que acreditamos que aquilo será o melhor para nós, o que na verdade pode não ser.

Buscas incessantes por esses padrões de beleza atuais têm levado as pessoas a utilizarem métodos e recursos perigosos, como por exemplo ingestão de drogas, suplementos em excesso, cirurgias estéticas sem necessidade ou excessivas, podendo trazer para o futuro desta pessoa graves prejuízos.

Portanto, buscar se conhecer, se tornando presente com o seu corpo, com percepções e sensações, pode não ser uma tarefa fácil, mas necessária quando não estamos satisfeitos e queremos alguma mudança. Neste processo, a ajuda de um profissional especializado pode ser muito importante, para que depois não haja arrependimentos na forma como isto foi buscado.

Uma rejeição do próprio corpo desestrutura o emocional da pessoa, refletindo em diversos papéis, incluindo a sexualidade, ocasionando uma baixa autoestima, ansiedade, angústia, mau humor por não conseguir se sentir bonita (o), queda do desejo sexual, desconforto no ato sexual, procurando desesperadamente o corpo que não têm e querendo ser o que não são.

Devemos identificar o que está ao nosso alcance para esta mudança corporal acontecer, e não ficarmos doentes, com uma infelicidade constante, pois estamos presos a este “cárcere” de padrões que não são nossos, intensificando problemas como a depressão, anorexia nervosa, bulimia nervosa, baixa autoestima, insatisfação sexual, problemas de relacionamento entre muitos outros…

Mudar é saudável, todos podemos, mas dentro do limite de cada um. Não podemos ser negligentes a nós mesmos. O que é superficial pode nos limitar a esta prisão e a este sofrimento.

Antes de dar mais importância ao externo, ao que vem do outro, olhar e se perceber, dando uma maior importância em como se sente, valorizando seus sentimentos, vontades, percepções, só assim essa beleza física pode ser percebida.

A beleza de todos é única e singular, não queira ter a beleza do outro, queira ter a sua beleza!

Busque o seu autoconhecimento.

Sinta-se, permita-se e viva!

Um super abraço,

Adriana Visioli

Adriana Visioli

Sobre Adriana Visioli

Psicóloga com especialização em Análise do Comportamento e Terapia Sexual e de Casal.
Cascavel - PR.

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