Arquitetando Estilos

Curitiba em festa…

Engana-se quem pensa que só de teatro se vive o Festival de Teatro de Curitiba. O Festival, comemorando neste ano 27 anos, é gastronomia, é show, stand ups, palestras, oficinas, debates e tudo mais o que as artes permitirem.

O Festival de Teatro é motivo de orgulho para os curitibanos. Ou deveria ser. Penso sempre em quantas cidades brasileiras gostariam de ter, em pouco mais de 10 dias ao ano, um momento para respirar arte. Conhecer o novo, ir à estreias, debater pensamentos, conhecer gente, conhecer a própria cidade.

Vivemos em tempos de reafirmações, momentos conturbados na nossa história. E o lema da edição deste ano é um alívio para as nossas tensões. “O Festival Para Todos”.

É isto mesmo. Preciso ensinar (e aprender de novo) que a cultura é sim para todos, que a cidade é de todos, que um Festival como esse é sim destinado a todos nós. Por isso, na coluna de hoje, vou destrinchar um pouco o Festival. Mostrar os temas de algumas peças, indicar eventos, divulgar atrações que você não tira um centavo do bolso e dar algumas dicas. Bom Festival!

A Mostra 2018 conta com espetáculos tanto nacionais como internacionais. Os ingressos variam de R$0 à R$70 (entrada inteira) mais a taxa administrativa (veja AQUI). Separarei algumas peças que chamaram minha atenção no Guia Oficial e trago para vocês alguns dos temas que estes espetáculos abordam. Lembro também que algumas destas peças terão, após a apresentação, em datas marcadas, debates no mesmo local onde foram encenadas.

Começo com o espetáculo Gira. Em um momento de tantas intolerâncias (inclusive a religiosa), ela me parece fundamental para o debate. O gênero é dança e os assuntos levantados são tanto a intolerância quanto nossa identidade nacional. No Guairão nos dias 28 e 29 de março às 21 horas.

Do clássico de João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas é uma adaptação do romance brasileiro. O cenário-instalação estará aberto para à visitação do público. Sete de abril às 21 horas e às 19 horas no dia oito de abril. O espetáculo conta com um debate após a apresentação no dia sete com local a confirmar.

The Machine to be another / Máquina de ser outro me parece ser uma experiência única. Nos momentos de tensão em que estamos vivendo, colocar-nos no lugar do outro pode ser uma boa pedida se queremos um mundo mais tolerante e calmo. A instalação é interativa e há a combinação de performance e realidade virtual. Dia 28 de março a três de abril na Cia Brasileira de Teatro.

Ah o racismo. Em pleno 2018 ainda é preciso debatê-lo e gritar aos quatro cantos que ainda existe. Preto é um drama sobre a questão racial e desigualdade no Brasil. Conta com debate após a apresentação no dia cinco de abril. No teatro José Maria Santos nos dias quatro e cinco às 21 horas.

O Jornal – The Rolling Stone é inspirado em fatos reais e conta a história de um amor homossexual (e proibido, claro). O que aconteceu? Em 2010, um jornal divulgou o nome de 100 homens gays com o intuito de incentivar seus leitores a enforcarem quem estava nesta lista. Dias dois e três de abril às 21 horas no Guairinha. É um drama, claro. E o debate é no dia três após a apresentação.

É a estreia nacional de Cabaret Macchina. Por meio de um cabaré os artistas buscam por Curitiba os restos de um herói. A apresentação ocorre ao ar livre na Rua da Cidadania Matriz (Praça Rui Barbosa). Haverá debate após a apresentação do dia quatro de abril na própria Rua da Cidadania. Dias três e quatro às 21 horas.

Outra estreia nacional é a de Domínio Público. Liberdade de expressão, censura e limites da arte são temas abordados na peça. Dias 29 e 30 de março às 21 horas no teatro da Reitoria. O debate ocorrerá após a apresentação do dia 29.

Uma peça em francês, mas com legenda. Esta é a comédia Tristeza e Alegria na Vida das Girafas. O espetáculo é internacional e também é uma estreia nacional. Por que apenas o primeiro ministro Pedro Passos Coelho, na cidade de Lisboa, é que pode ajudar uma menina de nove anos? Podemos descobrir nos dias 30 e 31 de março às 21 horas no Guairinha. Haverá debate após a apresentação no dia 30.

Sobre os debates, na parte de Interlocuções do Festival, o Performance e Política no Brasil Contemporâneo é uma palestra que aborda o cenário atual brasileiro. A partir desta leitura, a palestra também amplia a discussão internacionalmente. Dia 29 de março às 15 horas na Casa Quatro Ventos. A entrada é franca.

O Fringe é gigante. É a maior parte do Festival de Curitiba. Nele há o conjunto dos espetáculos que acontecem por toda a cidade – livre da curadoria. Segundo o Guia Oficial é “um espaço aberto e democrático com manifestações de todas as linguagens”.

Para se ter uma ideia do tamanho, os espetáculos estão organizados de forma alfabética, com informações em cada um deles. Nome, gênero, local, data, horário, preço, sinopse, classificação indicativa e duração. Infelizmente é impossível falar de cada um deles. Porém, o que eu aconselho é tirar na sorte. Sair um pouco do eixo dos espetáculos de grandes produções e incentivar a cultura local, as companhias da cidade, os atores que lutam para se apresentar.

Os preços variam desde peças gratuitas até R$60 (mais taxa administrativa). O Fringe também tem workshops, oficinas e debates. Vale uma leitura no Guia para se informar dos que mais te interessam.

Mais uma divisão dentro destes espetáculos livres da curadoria, é a parte Infantil. A proposta destes espetáculos é trazer uma linguagem adequada às crianças e que incentivem à imaginação.

Dito isto, se dê uma chance. Conheça os teatros que você nunca foi, veja atores mirins, aceite o improviso e se divirta com essa infinidade de espetáculos. O Fringe, assim como o lema do Festival deste ano, também é “Para Todos”.

O Festival conta também com uma programação toda especial para as crianças. É o Guritiba que tem teatro, música, brincadeiras e oficinas. Esta é sua décima edição e terá diversas atividades no MON (Museu Oscar Niemeyer). Os espetáculos variam de R$20 até R$40 (mais taxa administrativa).

Outra parte importante do Guritiba desta edição é a ação social que os organizadores e os investidores irão fazer. Ao longo de todo o ano serão eventos para levar cultura às instituições sociais de toda a cidade.

Dos espetáculos programados, destaco Oliver Twist nos dias sete e oito de abril às 16 horas no MON e Rockinho, espetáculo musical com repertório de Beatles, David Bowie, Queen, Nirvana, Kiss e mais. Dia 29 de março com local ainda a confirmar.

“O riso é livre”. Comemorando 15 anos desde a sua criação, o Risorama completa o Festival com bom humor e descontração. Entre os dias 28 de março e dois de abril, o evento acontece no Park Cultural do ParkShoppingBarigui.

O Risorama terá a participação de Diogo Portugal e as apresentações serão de segunda a sábado às 20 horas e aos domingos às 19 horas. As entradas custam R$35 a meia entrada e R$70 a inteira (mais a taxa administrativa).

Imaginação e surpresa é o que define o Mish Mash. Também realizado no Park Cultural do ParkShoppingBarigui, o evento acontece entre os dias sete e oito de abril, últimos dias do Festival.

No picadeiro estarão malabaristas, palhaços, ilusionistas e como mestre de cerimônia, Gabriel, o Pensador. Para toda a família, o Mish Mash tem entradas custando R$20 a meia entrada e R$40 a inteira (mais taxa administrativa). No dia sete de abril às 20 horas e no dia oito às 18 horas.

Nos últimos dias da programação do Festival de Teatro de Curitiba, o Gastronomix entra em cena. Com entradas custando R$12 (não consumível), o evento mais gostoso do Festival acontece no MON.

Nesta 12° edição, o evento reúne gastronomia, música e arte nos dias sete e oito de abril. Lembro bem quando fui nas edições passadas. A adesão do público é realmente grande, por isso chegue cedo para experimentar as delícias de cada restaurante e garantir um bom local para comer.

Difícil mesmo, além de escolher quais espetáculos assistir, é saber quanto vale o trabalho de um artista. Como quantificar as horas gastas no ensaio, na pesquisa para o personagem, no preparo antes de entrar em cena, no estar de corpo e alma presente para uma plateia exigente?

Mesmo sem saber esses números, o Festival reserva algumas peças para você escolher quanto vale seu ingresso. É o Pague Quanto Vale. Você assiste ao espetáculo e, ao final, decide quanto valeu aquele momento de arte e de reflexão para você. No Guia Oficial você encontra as peças selecionadas e as datas de apresentação (a programação dura todo o Festival).

O Festival de Teatro tem, nesta edição, o lema “Para Todos”. E isto tem tudo a ver com a abertura dos espaços, a livre circulação e o acesso às artes em toda a cidade por todas as pessoas. No Guia você encontra o Veja Grátis.     Diferentemente do Pague Quanto Vale, aqui você não precisa se preocupar. Os espetáculos são gratuitos mesmo. Na programação você pode conferir as datas, horários e locais das peças que mais chamam sua atenção. A programação também dura todo o Festival.

Espero que eu tenha conseguido destrinchar um pouco deste evento gigante que é o Festival de Teatro de Curitiba. Recomendo que você se programe com antecedência para conseguir seus ingressos na Mostra 2018, um bom espetáculo no Fringe, um lugar para brincar no Guritiba, um momento de risada no Risorama, outro de mágica no Mish Mash e um lugar com sombra no Gastronomix.

Esteja aberto às artes e se deixe levar nesse momento em que Curitiba fica ainda mais bonita, em festa. Questione-se nos debates, ouça boa música e coma boa comida.

O Festival de Teatro de Curitiba é para você, é para todos.

Eduardo Martinesco

Sobre Eduardo Martinesco

Jornalista, Curitiba - PR.

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