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Filhos x Crianças

Filhos só para quem gosta de Criança?

Será? Por quê?

Bom pessoal, hoje vou propor um tema um pouco mais teórica do que os que venho propondo… trata-se de uma reflexão que vai propiciar as próximas, um tema sobre o qual as pessoas refletem muito pouco.

Já ouvi muitas vezes, de todos os tipos de fontes (profissionais e leigos no assunto educação) argumentos mais ou menos assim: “Se você não gosta de crianças não pode ter filhos.” Simples né, parece muito óbvio até e é bem provável que você já tenha ouvido isso e até falado algo do gênero para alguém e esteja agora tentando encontrar o erro desta fala… logo, vamos à explicação, ou explanação do tema:

Ocorre que filhos, sobrinhos, netos, irmãos, enfim, pessoas não serão criança para sempre. A infância é apenas uma fase da vida, uma fase que possui cerca de doze anos em uma expectativa de vida que atualmente é de setenta e cinco anos. Ou seja, matematicamente falando, em média a infância é dezesseis por cento da vida de uma pessoa.

Talvez você esteja estranhando esse papo e caso ainda não tenha desistido do texto achando que eu sou alguma maluca sem assunto para este mês, então lá vai outro argumento para provar que a maluquice não está no texto e sim em dizer que pessoas que não gostam de criança não podem ter filhos:

 Já reparou como NUNCA se diz “se você não gosta de adolescente não pode ter filhos!”? Primeiro que se as pessoas dissessem ou acreditassem nisso talvez a taxa de natalidade diminuísse consideravelmente, afinal são raros os adultos que sabem e gostam de lidar com as pessoas que estão adolescendo não é mesmo? Pois bem, não dizer esse tipo de bobagem está certíssimo, por que a adolescência também é apenas uma fase do desenvolvimento humano. Uma fase um pouco mais curta do que a infância sim, mas cheia de desafios para os pais, o que pode torna-la longuíssima.

O problema das pessoas terem filhos por que gostam de criança é o tanto que muitas vezes os pais tem se tornado verdadeiros empecilhos no crescimento destes filhos. E aí vemos de crianças de oito anos que ainda tomam leite na mamadeira, usam fralda para dormir (não estou mencionando casos clínicos de enurese ou encoprese), que aos doze não fazem um pedido ou uma compra sozinhos, não atravessam a rua, não resolvem pequenos conflitos na escola, até adolescentes de dezenove que não dirigem, não pegam ônibus e não fazem trajetos curtos a pé, tratando-se TODOS estes exemplos de filhos completamente dependentes dos pais que são codependentes deles. Pessoas que precisam crescer e não conseguem.

Era resumidamente isto, espero que esta reflexão os faça repensar suas condutas caso seja necessário, pois me preocupa o futuro dos filhos envolvidos neste tipo de relação com seus pais, e para concluir eu vou emprestar um trecho do livro (que recomendo sempre e muito) “Me larga – separar-se para crescer” do francês Marcel Rufo psiquiatra infantil:

Todos os pais do mundo deveriam sonhar com que seu filho se torne um dia um navegador solitário, sinal de que desempenharam seu papel com benevolência e distância suficientes para ajudá-lo a encontrar o caminho da independência. Amar um filho é ajudá-lo a encontrar a auto-estima necessária para que ele nos deixe assim que se sinta pronto para isso

 

Talita Felipe

Sobre Talita Felipe

Psicóloga escolar e infantil, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental.
CRP 8 n°16669
Clínica Afetos - Rua Duque de Caxias, 229 - Cascavel - PR.
Telefone: (45) 9912-6401

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