Arquitetando Estilos

Hazy, Juicy ou New England?

Um dos estilos mais procurados e, consequentemente, consumidos dos últimos meses, as New England IPA vem causando discussões calorosas.

Muitas pessoas, como eu, adoraram mais esta novidade americana, outros, porém, acham que ela não tem nada demais, ou que são todas iguais.

Respeito a opinião de todos, mas vivendo o mundo das cervejas artesanais há quase nove anos, sou obrigado (com prazer!) a dizer que esses americanos são criativos e danados demais, incrível a capacidade que esse povo tem de inovar, ir além, surpreender e fazer melhor do que todo mundo.

Sim, há três jeitos de intitular este novo estilo (já falarei a respeito disso), você pode chamá-lo de: New England IPA, Hazy IPA ou Juicy IPA (e elas abrangem também as outras variantes como Pale Ale e Double IPA).

O BA, ou Brewers Association, órgão que comanda, organiza e ajusta o guia de estilos americanos, publicou recentemente e assegurou: agora é oficial, as New England IPA foram incluídas no manual, quer você goste ou não!

Afinal, o que é esse novo jeito de fazer IPAs e o que podemos esperar?

A resposta é simples e ao mesmo tempo complexa, trata-se de um novo jeito de pensar, cheirar e beber um dos estilos mais abrangentes, ecléticos e consumidos do mundo.

Desde a produção, seja nas técnicas de brassagem ou fermentação, até os ingredientes escolhidos e, especialmente, o perfil sensorial da cerveja, quase tudo é diferente se comparado ao estilo clássico (a levedura, a alma da cerveja é outra (Vermond, Conan, etc.).

Pra vocês terem uma ideia, as NE IPA foram pensadas para serem mais redondas, com amargor menos perceptível, aroma gritante e sabor mais aveludado. Note também o aspecto turvo do líquido, graças a adições de trigo, aveia, centeio e outros cereais, daí também a termologia “Juicy”, elas são realmente suculentas, muitas vezes a impressão que se tem é de tomar um suco concentrado desses de caixinha encontrado em supermercados, não é brincadeira não, aliás, é uma das características mais legais delas.

Aromas pungentes que vão de frutas cítricas a tropicais também roubam a cena e encantam, a intensidade e o equilíbrio são realmente marcantes, aqui aquele famoso “caramelo” ou “toffee” de malte não são bem-vindos, eles querem que você sinta quase que em sua totalidade apenas os perfis sensoriais dos lúpulos americanos, australianos e neozelandeses, os mais usados nas receitas.

Modinha entre Beer Geeks ou oportunidade de evolução sensorial incrível? Honestamente, vejo um pouco dos dois. Como tudo o que é novo, há sempre essa tendência de despertar mais curiosidade entre os amantes da cena, mas junto disso uma inevitável onda de preciosismos, supervalorização e análises fúteis acabam aparecendo. A grande sacada como sempre digo é: procure um especialista sério, sem mãos amarradas e que realmente faz a coisa porque ama.

Deixo aqui uma lista de cervejas brasileiras obrigatórias para consumo e aprendizado:

Croma Sunshine, Croma Boombox, Croma Pipeline, Croma Full Moon, Croma Ponkan, Octopus Garden, Octopus Underdog, Quatro Graus Think Outside the Can, Japas Kasato Maru, Koala 2” Tape, Infected Wild Beast, Infected Funktown Juicy, Everbrew Evermaine, Everbrew Evermont, Everbrew Evermass, Dádiva Sudden Life, Dádiva Spot, Hocus Pocus Event Horizon, Hocus Pocus Moonrock, Hocus Pocus Day Tripper, Sinergy Hop it Up, Three Monkeys Galaxy Detox, Three Monkeys Hop Dust, 3 Cariocas Gravity, Overhop Hazy, etc.

Nota:
A imagem destaque do post é do blog: Oshkosh Beer.

Anderson Cesari

Sobre Anderson Cesari

Publicitário, Empresário e Sommelier de Cervejas
contato: (45) 9993-3600
Cascavel - PR

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