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Vamos falar de Alimentação Complementar?

Existem 3 métodos de introdução alimentar aqui no Brasil, e todas são recomendadas a partir dos 6 meses. Explicarei de forma objetiva e resumida como cada uma funciona:

Introdução Alimentar de forma tradicional:

Inicia-se a partir dos 6 meses, com evolução gradual das papinhas. Nessa técnica, os alimentos são oferecidos cozidos e amassados com o garfo, separados no pratinho para que a criança consiga conhecer o sabor e textura de cada alimento. O adulto é o controlador e regulador, ou seja, o bebê não tem autonomia. São os papais que vão colocar os alimentos na boquinha dele, incentivando-o a comer.

BLW – Baby led weaning

BLW é uma abordagem para a introdução alimentar do bebê baseada na oferta de comidas manuseáveis, onde o bebê é encorajado desde início a alimentar-se sozinho. Os alimentos são oferecidos inicialmente em pedaços grandes e bem cozidos, para que o próprio bebê leve até a boca. Nesta técnica, o adulto apenas acompanha a refeição, por segurança, mas não participa do processo. O bebê irá decidir se quer e quanto quer comer.

3º Introdução Alimentar Participativa

O bebê é agente ativo do processo de introdução da alimentação complementar, ainda que recebendo alimento de um intermediador. Dessa forma, a alimentação passa a ser assistida – e não passiva. Assistida pelos pais, que intermediam as preferências do bebê e o auxiliam motoramente, enquanto ele não adquire habilidade e eficiência na ingestão adequada de nutrientes necessários para o seu desenvolvimento. Os alimentos são oferecidos tanto em forma de papinha dada com a colher, como em pedaços maiores para serem segurados pelo bebê

Existe um novo modelo de introdução alimentar. Já ouviram falar em BLISS: a evolução do BLW??

A OMS e outras entidades de saúde de diversos países, como é o caso do Ministério da Saúde no Brasil, não recomendam o BLW como uma abordagem para a introdução de alimentação complementar. Uma das razões para tal é a falta de estudos conclusivos sobre o método em geral, ainda que já existam alguns dados importantes.

Um grupo de pesquisadores multidisciplinares (Daniels Y Cols, 2015) propuseram observar os pontos desfavoráveis do Baby-Led Weaning, que já foram comprovados em estudos prévios, para conduzir uma pesquisa que visou aprimoramento desse método.

  • Famílias que optam por esse método para a introdução alimentar tentem a oferecer alimentos pouco ricos em ferro, como frutas e alguns vegetais.
  • Existe um risco aumentado de engasgo. Nos estudos prévios, os pesquisadores encontraram taxas muito altas de engasgos dentro do grupo de bebês que fazia a introdução alimentar via BLW.
  • O consumo energético da criança em BLW também é questionado. “Profissionais de saúde também sugerem que o BLW pode aumentar o risco de retardo no crescimento, porque bebês que seguem o método BLW podem não ser capazes de se alimentar sozinhos o suficiente para suprir suas demandas de energia para o crescimento. A densidade energética dos alimentos que são oferecidos pode também ser baixa (por exemplo, bebês em BLW podem acabar recebendo apenas frutas e vegetais, porque esses são os alimentos mais fáceis de se preparar como “finger food”)”

O que seria o BLISS então?

Bliss é um anagrama para o Baby-Led Introduction to Solids, ou Introdução aos Sólidos Conduzida pelo bebê – diferente do Weaning tradicional, que significa literalmente, desmame.

Através do estudo, os pesquisadores comprovaram que: comparados aos bebês em BLW os bebês BLISS tiveram melhor qualidade nutricional da dieta e menor risco de engasgo. Essas são as quatro características essenciais do BLISS, que pode ser entendido como uma sistematização cautelosa do ponto de vista nutricional, para o já difundido BLW:

  • Oferecer comidas que o bebê possa pegar sozinho (seguir a abordagem BLW)
  • Oferecer uma comida rica em ferro por refeição;
  • Oferecer uma comida de alta densidade energética por refeição;
  • Oferecer comida preparada de forma adequada ao estágio de desenvolvimento do bebê, para reduzir o risco de engasgo, e evitar comidas listadas como alto risco de engasgo.

Em todas as refeições deve ser oferecida uma boa fonte de ferro, como carnes, aves, peixes, gema de ovo, feijões. Também devemos nos preocupar com o aporte de energia, que pode ser garantido com batatas e outros tubérculos, raízes e frutas calóricas como banana ou abacate. E a apresentação dessas comidas também importa: os alimentos devem ser de textura suave, de modo que o bebê possa esmagar os pedaços entre língua e céu da boca. O BLISS sugere também evitar alimentos duros ou em formatos redondos com alto risco de engasgo, como uvas e tomatinhos cereja.

O estudo comprovou que, com esses pequenos ajustes no método BLW, as preocupações com o aporte de ferro e calorias, bem como os riscos de engasgo podem diminuir consideravelmente.

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Sabrina OrlandinVamos falar de Alimentação Complementar?

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