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Leishmaniose visceral em cães

O tema de hoje envolve saúde pública. A Leishmaniose canina é uma doença que vem acometendo os cães no Oeste do Paraná, mais precisamente na cidade de Foz do Iguaçu, sendo casos autóctone, ou seja, originados daquele local.

Outros casos também estão ocorrendo em outras cidades da região oeste, mas estes, no momento, são casos importados, ou seja, cães que viviam em regiões endêmicas como Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rio grande do Norte, Maranhão, Tocantins entre outros estados.

Sei que é um tema um pouco complexo mas vamos lá…

A Leishmaniose conhecida popularmente como calazar, barriga d’agua é uma zoonose (doença que é transmitida entre os animais vertebrados e o homem) é uma doença causada por um protozoário do gênero Leishmania, este protozoário necessita das nossas células para poder se manter.

A forma de infecção é através de mosquitos conhecidos popularmente como mosquito palha. A transmissão ocorre quando o mosquito se alimenta do nosso sangue, ao realizar a alimentação acaba inoculando o protozoário e o mesmo irá se desenvolver e causar danos ao nossos órgãos.

leishmaniose

Estes mosquitos gostam de ambientes quentes e chuvosos, as fêmeas botam seus ovos em substratos orgânicos úmidos e os mesmos se desenvolvem. A fêmea é a maior ameaça, pois ela é quem faz a hematofagia (se alimenta de sangue) e é nela onde o ciclo do protozoário se torna infectante. Ou seja, o protozoário necessita do mosquito para completar o seu ciclo. Portanto, não tem como uma pessoa ou um animal passar a doença um para o outro através do contato com o sangue, saliva, fezes ou urina.

Quando o mosquito vai se alimentar o protozoário esta alojado em seu aparelho bucal junto a sua saliva, ao realizar a alimentação os protozoários caem em nossa epiderme e são fagocitados (ingeridos) por células que fazem parte do sistema imunológico do hospedeiro (cães, seres humanos entre outros animais vertebrados), os macrófagos que fazem parte destas células fagocitam o protozoário e dentro do macrófago eles vão se multiplicar e o mesmo irá se romper liberando mais protozoários que serão novamente fagocitados por outros macrófagos ocorrendo o mesmo processo e assim ocorrendo a disseminação no sangue para outros tecidos e órgão que sejam ricos por macrófagos como os linfonodos, baço, fígado e medula óssea.

Após infecção, os cães podem manifestar sinais clínicos ou ser portadores assintomáticos, aqueles que possuem a doença mas ainda não deu tempo de manifestarem os sinais clínicos. Há relatos de animais serem portadores da doença há vários anos e nunca manifestar nenhum sinal.

Quais os sinais clínicos observados na Leishmaniose visceral canina?

♦ Quedas de pelos focais, em regiões da orelha, ao redor dos olhos, membros, perto do nariz.

Ocorrem lesões na pele que não coçam, mas descamam, geram aumento de queratinização em focinho, e nas patas, as unhas crescem exageradamente.

Ocorre emagrecimento progressivo.

Podem apresentar feridas que não cicatrizam.

Em casos avançados os animais apresentam alterações como anemia, aumento do baço, fígado, linfonodos. Levando a insuficiência renal e hepática.

leishmaniose canina

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito através dos sinais clínicos e exames sorológicos para detecção de anticorpos contra a leishmania, exames citológicos onde o protozoário é encontrado dentro das células. Cada caso é um caso e vai depender da fase da doença em que o animal se encontra, muitas vezes necessitando de outros exames mais específicos para dar o diagnóstico definitivo.

A Leishmaniose canina tem cura?

A doença não tem cura e é de notificação obrigatória a partir do primeiro caso registrado em uma localidade. A partir da notificação a vigilância sanitária irá fazer o papel de investigação.

No que consiste a investigação?

Consiste em saber se este animal já viajou para algum local endêmico e acabou contraindo a doença neste local. Se nunca saiu desta região e se outras pessoas na localidade apresentam sinais clínicos condizentes com os que a leishmaniose faz. E pesquisas se á mosquito palha na região e se os mesmos estão infectados.

E porque abordar todo este tema?

No caso de Foz do Iguaçu, por ser um ambiente muito propicio para o mosquito palha se desenvolver, desde antes de 2015 pesquisadores começaram a investigar se havia mosquitos e a doença nesta região. Até então foram descobertos mais de 1.000 cães infectados e um caso em humano foi registrado ao qual o homem veio a óbito.

A vigilância preconiza a indicação da eutanásia para os animais positivos para a doença, pois o mesmo se torna reservatório, sendo o proprietário que irá tomar esta decisão, sabendo que o mesmo terá que assinar vários termos de responsabilidade.

Quais os medicamentos utilizados?

Os medicamentos utilizados para o tratamento em humanos não são liberados para o uso em animais. Está disponível no mercado um medicamento veterinário para o tratamento da leishmaniose dos animais positivos com o intuito de estacionar a multiplicação destes protozoários. Mas não o tornará curado.

Além deste medicamento, o animal é tratado para os sinais clínicos que estará apresentando podendo ter que tomar vários medicamentos para o resto de sua vida. Terá que usar coleiras especificas para repelirem o mosquito palha, e os proprietários também terão que realizar os cuidados de sempre usar repelentes, colocar telas nas janelas entre outras medidas de precaução.

No mosquito o ciclo do protozoário demora em torno de 5 dias para se tornar realmente infectante, então, não será de imediato a picada no cão infectado e após no humano que irá ocorrer a transmissão da doença.

Outros casos foram registrados nas cidades de Cascavel e Toledo, mas foram casos em que os animais vieram de outras cidades endêmicas.  Mas acredito que em outras cidades da nossa região possuam outros animais positivos mas com desconhecimento. A vigilância sanitária vem fazendo pesquisa nessas regiões para encontrar o mosquito palha e em Cascavel há relatos de terem encontrado o mosquito não estando infectado com o protozoário, indicando que ainda não há casos autóctones.

Quais são as formas de precaução Leishmaniose canina?

Ao ir viajar com seu cão para locais considerados regiões endêmicas, use coleiras repelentes de mosquitos ou aplicação de medicamentos que atuam da epiderme e repelem estes mosquitos.

Existem vacinas que ajudam a prevenir a doença, realizando-se 3 doses com intervalos de 21 dias, e a imunidade estará correspondida 21 dias após a administração da última dose, após o reforço é feito anualmente, porém, é necessário lembrar que nenhuma vacina é 100% segura e ocorre uma chance muito pequena do animal não corresponder a imunidade esperada e contrair a doença. A resposta humoral vai depender do estado nutricional do animal, como de doenças já existes que podem diminuir a produção de anticorpos contra a doença.

Para a realização da vacina o animal deve fazer um teste rápido para descartar a possibilidade de já ser positivo para a Leishmaniose.

Caso vá viajar para estas regiões endêmicas, se programe e faça o protocolo vacinal com bastante antecedência para seu cão ter tempo de produzir anticorpos contra a leishmaniose.

Para os animais que já vivem nestas regiões e não são portadores, os cuidados são os mesmos:

  • realização de vacinas
  • uso de coleiras
  • aplicação de telas nas janelas
  • ter sempre repelentes aerossóis sendo espalhados pela casa
  • Manter os quintais limpos sem lixos orgânicos, ou restos de materiais onde as fêmeas possam depositar seus ovos.

leishmaniose canina

Lembrando que…

O mosquito é o vilão e não nossos cães! Mas, por ser questão de saúde pública, o controle da doença deve ser estabelecido. E por esta razão algumas medidas são tomadas, para que haja o controle da doença na população humana.

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Eduarda MansourLeishmaniose visceral em cães

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2 comments

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  • Guy - 4 de abril de 2017

    Olá Doutora!
    Irei postar minha dúvida nesse post, já que foi o último post da sra.
    Adotamos uma gatinha orfã, de 15 dias. Ela está tomando leite especial para gatos, mas brevemente teremos que começar a lenta substituição do leite pela ração. Estamos para fazer uma grande compra, mas estamos em dúvida se compramos os saquinhos:
    – Purina Pro Plan Kitten (1 a 12 meses)
    ou
    – Royal Canin Mother & Babycat (1 a 4 meses) + Royal Canin Kitten (até 12 meses)

    O preço das duas marcas é exatamente o mesmo e a facilidade de encontrar também. Por favor, nos ajude a escolher qual dessas duas marcas comprar.

  • Eduarda Mansour

    Eduarda Mansour - 5 de abril de 2017

    Olá, as duas marcas de ração são de ótima qualidade, mas no caso dela, a opção da Royal Canin Mother & Babycat + Royal Canin Kitten seria uma boa escolha, pois ajuda o trato gastrointestinal se adaptar a transição do leite para a ração e minimizar riscos de ocorrer diarreia, que é algo que precisamos evitar nesta fase tão jovem, pois acarreta em desidratação e quadro de hipoglicemia. Lembrando que o desmame deve ocorrer após 45 dias de vida, alguns animais já aceitam a ração antes de completar este tempo. Ao completar os 4 meses, passe para a outra ração(Royal Canin Kitten) e passe a dar a de adulto após os 12 meses de idade.

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