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MATERNIDADE E SEXUALIDADE: Uma parceria com o companheiro

Ao pensar sobre qual assunto escreveria, logo direcionei meu pensamento ao que irei vivenciar daqui a 3 meses: a sexualidade com a maternidade, como ficam?

Pensando sobre o período gestacional, ocorrem diversas mudanças para o organismo e emocional da mulher, como uma explosão de hormônios, modificando seu corpo, seu emocional, humor, autoestima, surgimentos de inseguranças e medos, entre outras questões que refletem na percepção que a mulher tem de si.

Mas não é sobre a gestação que irei falar, mas sobre o pós-gestacional, uma fase tão intensa quanto a anterior, é uma nova etapa com o nascimento do bebê. Mas como ficam os pais nesse contexto?

Em primeiro lugar coloco a necessidade de ambos compreenderem essas mudanças e se adaptarem a essa nova fase, pois a maternidade pode ser muito exaustiva, e o pai precisará entender que o papel dele também mudou, assim como a sua rotina.

A comunicação entre o casal é muito importante, pois cada um poderá expressar o que está sentindo, falar sobre necessidades, que neste momento poderão estar mais direcionadas para a mãe, já que a demanda e alterações hormonais, corporais, emocionais e a mudança repentina da rotina se tornam muito mais dela.

Conversar sobre o assunto vale a pena, mas de uma forma que não ocasione um estresse. Escutar e dar importância à informação que o outro está trazendo, a fim de buscar algumas modificações para a qualidade da convivência entre o casal.

Mas o que isto está relacionado com a sexualidade?

Tudo! Pois a mulher passará por uma fase complicada com ela mesma, e o auxílio do parceiro se torna muito importante para que aos poucos ela vai percebendo e até retorne a se ver como uma mulher, não apenas como mãe.

Como mulher não seria apenas como parceira sexual, mas uma mulher, como filha, irmã, amiga, amante, profissional, e o principal, sentir-se bem e dando mais atenção a si mesma. A mulher precisa de ajuda para isto? Sim. E nada melhor que a ajuda do parceiro.

Retornar a vida sexual também é difícil, mas quando a mulher consegue resgatar esse olhar para si, tudo vai se tornando um pouco mais fácil. Lógico, mesmo com dificuldades, pois como falei, será uma nova fase para este casal e esta mulher.

É natural que o casal, principalmente a mãe, direcione sua energia ao bebê, já que as exigências e responsabilidades são grandes com os cuidados, gerando um cansaço grande a ela. Nesse momento o casal precisa reorganizar como será a rotina juntos, realizar planejamentos, a fim de que esta família não se rompa, mas se equilibre com segurança.

Junto com essa organização de rotina, também se insere a manifestação de atenção e carinho entre o casal, e não apenas para o bebê. Por mais que a vida sexual estará sendo deixada de lado por um tempo, não pode interromper o olhar que um tem ao outro como companheiros. Pode ser mais difícil para a mãe, portanto é necessário o pai ter atitudes frente a essas manifestações.

Cada pessoa é única, possuindo as suas necessidades e valores diferentes. Por isso, se o casal chegou nessa fase e ainda possui dificuldades para compreender o que o outro deseja, conversem, escutem o que o outro diz, dê atenção, principalmente agora. Quando a mulher sente que suas necessidades estão sendo valorizadas sobre o olhar do parceiro, irá facilitar para que esta se sinta melhor consigo, consequentemente melhorará a interação do casal.

Logicamente a mulher também precisa dar uma abertura para isto acontecer, tentando ao máximo buscar satisfações, sejam relacionadas à maternidade, como também momentos para si e com o parceiro. Se a mulher se fechar apenas a este papel de mãe, sem deixar com que o parceiro se aproxime com demonstrações de afeto, assim como ela não manifestar também atos de carinho, pode dificultar esse momento.

Conversem sobre quais demonstrações cada um valoriza e precisa!

É importante ressaltar que o sexo pode ser suspenso por um tempo, e até necessário, mas a sexualidade não. Ou seja, o casal precisa se beijar, se abraçar, ter o toque ao outro, o olhar, emitir palavras carinhosas, entre outros comportamentos que o casal considere importante para os dois.

Lembrando que para o desejo sexual retornar, tudo isto é necessário, já que o desejo é estimulado também se baseando nesta interação do casal.

Nessa fase, o homem precisa compreender que a mulher se torna mais sensível, pelo cansaço, mas também pelas modificações em seu corpo, interferindo na autoestima, sentindo-se feia e nada atraente. Por isso também a importância do parceiro demonstrar mais afeto e elogiar com mais frequência a fim de ajudar essa mulher a melhorar a sua autoestima.

Quanto mais a mulher se sente desejada pelo parceiro, mais fácil será para ela lidar com a sua sexualidade.

Mas ela também precisa ir direcionando aos poucos à sua rotina não apenas ao bebê, mas ao seu prazer pessoal. Precisa lembrar que além de mãe, é esposa, e esse papel também é importante assim como o papel de marido. O olhar ao outro, como parceiros sexuais (por mais que não haja o ato sexual), precisa estar presente pelo menos em algumas situações de interação entre ambos.

A mulher também precisa lembrar que o prazer não está apenas no órgão sexual ou no formato do seu corpo, mas em sua cabeça. Portanto, ela precisa dar a devida atenção quando passar a fase do puerpério. E quando a mesma ainda não estiver pronta para o sexo, sempre deixar claro isto para o parceiro, não se forçar a ter uma atividade sexual sem o desejo. Mas também não o deixar esquecido. Tentar identificar o que a estimula sexualmente, o que o parceiro no dia a dia pode fazer para ajudar (desde ajudar com obrigações com o bebê, com a casa, ou manifestar mais formas para que ela se sinta melhor).

Essa mãe estará cansada, portanto o auxílio do pai é essencial, só assim ela terá momentos para direcionar o pensamento a ela enquanto mulher, desejando e sentindo-se desejada.

Criar momentos de intimidade entre o casal podem ser raros, mas é necessário valorizá-los. No início tudo é mais complicado, mas com o tempo e a organização de tarefas, quando o casal está unido nisto, facilita para que juntos encontrem meios de não esquecer a sensualidade e o erotismo.

Lembrando que esses momentos não irão aparecer de repente, o casal que terá que identificar momentos curtos, mas que podem ser aproveitados. Seja para tomar um banho juntos quando já estão dormindo ou com alguém cuidando, fazer uma massagem, tocar no corpo do outro mesmo que não haja o ato sexual. Embora o cansaço da mulher tome conta, mas um momento de carinho pode proporcionar uma energia extra a esta mãe.

O prazer não precisa estar focado apenas à penetração, mas ao toque, olhar, palavras emitidas…

Tudo na prática é um pouco mais complicado, mas o casal, juntos, devem tomar o mesmo rumo, seja nesse papel de pais como também no papel de casal. Se cada um tiver a sua vida paralela, em uma dessas funções, poderá atrapalhar em todo o resto.

Empreender esforços, ter atitudes, procurando uma ligação maior um com o outro, faz com que a sexualidade, e como uma consequência futura o retorno da atividade sexual, pode ser resgatada aos poucos, e trazer inúmeros benefícios para a estrutura familiar.

Muitas mães, com a chegada do bebê, passam a ver seu companheiro como apenas o pai de seu filho, e muitos pais deixam de serem companheiros da mulher exercendo apenas o papel de pai.

NASCE UMA MÃE, NASCE UM PAI, MAS AINDA PODEM SOBREVIVER COMO UM CASAL!

Os pais conseguindo lidar com as dificuldades juntos e em harmonia, a mãe estando bem com o seu emocional, consequentemente favorecerá um bem-estar para o bebê. Este é um período de reestruturação para os dois, e para a sexualidade da mulher, portanto, devem procurar ter paciência, compreensão e carinho um com o outro.

Adriana Visioli

Adriana Visioli

Sobre Adriana Visioli

Psicóloga com especialização em Análise do Comportamento e Terapia Sexual e de Casal.
Cascavel - PR.

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