Arquitetando Estilos

O mistério da Vida

Muito se fala sobre os mistérios da morte, mas nunca se chegou a alguma resposta, e nenhuma das teses é unânime. Suponho que não é na morte que reside o mistério, mas sim na vida.
Ao nascermos, com o suspiro da vida, recebemos também o sopro da morte, e uma complementa a outra. Se uma não existisse, a outra não teria propósito.

A maioria se preocupa tanto em entender a morte que esquece de interpretar a vida. Tão misteriosa, tão surreal. Quem explica o arrepio no braço, as borboletas no estômago, a dor e o sonho?

Engana-se quem pensa que vivemos para sermos felizes ou para realizarmos sonhos. Na verdade, nós vivemos é para enganar a morte. Daí a importância de empregarmos nossa alma em tudo o que fazemos.

Embora saibamos que é algo certo e inevitável, a morte nos surpreende:
– Fulano morreu!
É um estardalhaço.

A verdade é que a nossa vida pode ser comparada a um rio profundo com correntezas que tentam nos puxar o tempo todo para o fundo, e lá está a morte. Ficam as roupas jogadas no cesto da lavanderia, a xícara de café pela metade, ficam as promessas e compromissos. Não dá para remarcar o dentista e nem usar aquele sapato separado para uma ocasião especial.

Poxa, nem deu tempo de ver o resultado da academia, a dieta ainda não surtiu efeito e o meu time ainda não venceu o campeonato e eu não pedi o meu amor em casamento.

É estranho, é incompreensível, mas é real: a morte nos espera, todos os dias. Muitos a veem como tabu, mas eu a vejo como um estímulo diário para respirar mais fundo, para sentir intensamente, comer, rir e porque não dedicar algumas horas à preguiça. As horas jogadas no sofá, ao contrário do que muitos afirmam ser perda de tempo, para mim significam uso de vida. O fazer nada também me fascina, é o meu querido “dolce far niente”.

Mas de vez em quando é bom perder o sono. O cansaço e as olheiras são sérios sinais de que você ainda está vivo..haha.

Eu tento não reclamar das coisas (embora tenha dias que é uma tarefa quase impossível), aprecio o sabor dos alimentos e me demoro à mesa. Sempre leio e pesquiso sobre coisas saudáveis, mas não abro mão de um junk food às vezes.

E sou intensa, visceral. Falo bobagem, mas sou um amor em forma de gente. É porque compreendo que a vida é muito mais simples quando espalhamos amor por aí. Não tenho tempo de andar carrancuda e nem de poluir minha alma com sentimentos ruins.

É o que nos mata aos poucos: a mágoa, o ressentimento, o ódio. Vai pesando tanto que não conseguimos mais voltar à margem. Ser leve é um deboche à morte. É como bater a porta na cara dela.

Vida e morte, um dia a mais nem sempre é questão de sorte. Muitas vezes é só questão de escolhas, e o que escolhemos ser não pode ser mudado depois que uma ceder espaço à outra.

Temos todo o tempo do mundo, mas nem sempre é tempo o suficiente pra mostrar, amar, sentir, sorrir. Use do seu tempo, gaste sua vida, porque diferente dos jogos de entretenimento, ela não se recarrega com o tempo ou com bônus.

Como disse Pedro Bial, “morrer é um chiste, obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.”

E depois? Nunca saberemos se o depois existirá. Reflita e não economize gentilezas nem abra mão de si por nadinha no mundo.
Que tal um pouco de Renato para ajudar nessa reflexão?