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Por que não eu?

Por que não eu? Eu ouvi essa frase pelo menos três vezes na última semana, e o que mais me chamou a atenção foi o contexto no qual ela estava inserida.

Na maioria das vezes em que a havia ouvido foi sob a perspectiva da metáfora das laranjas (http://metaforas.com.br/o-caso-das-laranjas), mas dessas ultimas vezes, eu  a ouvi sob a ótica de pessoas que estavam acometidas por graves doenças ou segregação racial e isto me fez refletir sobre a forma como encaramos as coisas não tão boas que a vida nos apresenta ao logo da jornada.

Na correria do dia a dia, a rotina não nos deixa perceber o quanto a soma das coisas boas e das ruins nos é favorável.

É comum ouvir de pessoas que trataram doenças terríveis, dizerem que são muito mais felizes agora, após o tratamento do que antes de serem acometidos doença. Penso eu que é porque estiveram muito perto do sentimento de perda de coisas muito valiosas, da vida e de não compartilhá-la com seus entes queridos.

E foi justamente numa entrevista a um núcleo de pessoas que sobreviveram a doenças graves que esta frase foi dita e repetida pelos entrevistados, a explanação deles é a de que eles se retiraram do papel de vítimas e passaram a superar dia após dia cada etapa do tratamento até a cura.

Essa é a chave  de toda a questão, a vitimização. É muito mais fácil nos colocarmos no papel mais vulnerável e ficarmos questionando: “Por que eu?” do que assumirmos “a bronca” e repetirmos “e por que não eu? ”.

Isso muda muita coisa, a perspectiva de vida, de planos. É muito mais leve.

Ao passo que decidimos aceitar as coisas não tão boas, mudamos também a pergunta do “por que”, e passamos a nos perguntar “para que”. As respostas passam a ser muito mais interessantes, muito mais ricas em aprendizado e bagagem emocional, cultural.

Nem sempre há um porque, mas sempre há um para que. E assim,  na prática, acabamos por renunciar a um sentimento que todos temos, que é  o narcisismo exacerbado, o sentimento de que temos uma estrela que brilha mais em nós do que no outro ser, de que devemos ser imunes a qualquer experiência dolorosa.

Mas, não somos imunes a nada, felizmente.

Se há alguma coisa para o que mazelas da vida servem é para nos remeter ao humano e assim nos tornar mais sensíveis à existência, mais tolerantes com tudo e todos.

Mude suas perguntas, e a sua percepção  de vida será muito mais valiosa. Não existe evolução sem mudanças.

Beijos

@jannacamposp

Janaina Campos

Sobre Janaina Campos

Advogada.
Campo Largo - PR.

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