Arquitetando Estilos

A relação das crianças e até dos bebês com a tecnologia

Faz algum tempo que eu penso em escrever sobre o modo como as crianças, inclusive as muito pequenas, inclusive os bebês, tem se relacionado com celulares, tablets e até mesmo com a televisão, inclusive eu escrevi um texto no ano passado como convidada, sobre o jogo de realidade aumentada Pokemon Go (confira aqui).

Em qualquer faixa etária as crianças são facilmente seduzidas por vídeos e jogos que são disponíveis nestes aparelhos, é um fato também que quanto mais tempo estes aparelhos forem ofertados a eles maior será a necessidade e a vontade de ficarem conectados. É muito simples e fácil compreendermos isto, haja vista que nós mesmos, adultos, somos capazes de ficar várias horas no celular, e que conferir mensagens e notificações tornou-se uma necessidade e algo que fazemos incontáveis vezes ao dia.

Bem, a menos que este seja o primeiro texto meu que você está lendo já dá para saber que o primeiro tópico para reduzir, modificar ou amenizar este comportamento do(a) seu(sua) filho(a), é modificando o seu próprio comportamento… Ou seja, do mesmo modo que para reduzir os medos infantis é necessário que os adultos elaborem seus próprios medos (confira aqui), e o mesmo vale para a ansiedade (confira aqui), se você não quer que a criança fique viciada e receba apenas os estímulos visuais e auditivos disponíveis em celulares e tablets precisa começar revendo a sua relação com estes aparelhos.

Ocorre, que o problema em questão não é a preocupação dos adultos responsáveis com esta relação das crianças com a tecnologia, o problema em questão é a FALTA de preocupação. Eu mesma já atendi e acompanhei na escola, crianças que estavam completamente viciadas em jogos, mas nunca pais preocupados com este comportamento.

A realidade é que nos tornamos uma geração de pais super protetores, e os perigos aos quais as crianças estariam expostas na rua, caso brincassem como fazíamos na nossa infância são realmente iminentes. É verdade também que a grande maioria das pessoas acumula várias funções, o que reduz a quantidade de tempo livre e de lazer com os filhos, e é verdade também que com os estresses do dia-a-dia manter os pequenos “desligados” do resto do mundo enquanto estão ligados em um vídeo ou jogo chega a ser um sonho de consumo. Tudo isto para dizer que SIM, eu entendo a falta de preocupação dos adultos com relação a isto. Só que a relação das crianças com a tecnologia É PREOCUPANTE, e é exatamente para acender este alerta que eu estou escrevendo este texto!

Assim como com o Pokemon Go você não precisa proibir e nem privar seus filhos de acessarem vídeos e jogos, eles tem vantagens, mas precisa dosar isto e oferecer outros estímulos, como ir a parques, praças, exercitar-se, estar em contato com a natureza, ter contato social e físico com outras pessoas, ler livros, ter tempo ocioso, ter acesso a jogos e brinquedos de modo geral, frequentar algum curso ou grupo fora da escola, e etc.

Quando se fala em bebês nada disso que eu falei até agora se aplica, é verdade, mas alguém me explica qual a utilidade de deixar um bebê com menos de dezoito meses “assistindo” algo? Antes de eu ver que isto acontece algumas pessoas me relataram e eu achei completamente inacreditável… Um bebê não tem a apropriação verbal e nem o desenvolvimento cognitivo necessários para compreender uma historinha ilustrada em um vídeo. A partir dos dois meses, eles começam a fixar o olhar e precisam encarar tudo o que veem para exercitar os olhos e quando expostos a vídeos (no celular, tablet ou televisão) são fácil e fortemente atraídos pelo brilho e sons que o aparelho emite.

A Academia Americana de Pediatria recomenda que se evite deixar crianças de menos de um ano e meio vendo televisão pois estas precisam de outros estímulos para se desenvolver, e que é mais saudável deixar que o bebê brinque à vontade, ou simplesmente observe o mundo ao redor do que expô-lo a este único e sedutor estímulo.

Ou seja, entendamos que estes aparelhos fazem parte das nossas vidas e que nossas crianças nasceram em um mundo onde eles já eram essenciais, mas não deixemos que eles tomem conta da nossa rotina e nem da rotina dos pequenos de uma forma naturalizada e sem controle. Se isto está acontecendo na sua família espero ter deixado uma pulguinha atrás da sua orelha, que o fará repensar e refletir o modo como VOCÊ usa smartphones, tablets e a televisão para entreter o seu filho!

Leitura recomendada:

Em defesa das brincadeiras

Talita Felipe

Sobre Talita Felipe

Psicóloga escolar e infantil, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental.
CRP 8 n°16669
Centro Integra - Rua Souza Naves 3094 - Cascavel - PR.
Telefone: (45) 9912-6401

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2 comments

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  • Fabiola Da Silva Altino - 20 de setembro de 2017

    Como faz falta brincar, infelizmente nossas crianças estão fadadas a serem escravas da tecnologia, tendo como companhia tabletes, celulares, ipads. Lugar de criança é brincando correndo. Parabéns Talita excelente reportagem.

  • Talita Felipe

    Talita Felipe - 24 de setembro de 2017

    Obrigada Fabíola!!! Tudo o que você disse também é verdade mas cabe a nós adultos remar contra esta maré de dependência tecnológica!!!

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