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Sexualidade da Mulher

Aproveitando a campanha do OUTUBRO ROSA, sobre o câncer de mama, irei complementar o assunto sobre a importância da mulher valorizar a sua sexualidade, direcionando uma atenção a obter informações sobre o tema, bem como a buscar um autoconhecimento e vivenciar a sua sexualidade de forma saudável e harmoniosa.

A sexualidade é um conjunto de características físicas, psíquicas e afetivas que compõe a mulher e o homem. Com essas características vem a relação com o mundo, com os outros e consigo mesmos.

O ato sexual é apenas um complemento da nossa sexualidade, mas não é tudo. Costumo dizer que é um reflexo da nossa sexualidade. Quando a vivenciamos da melhor forma, irá também refletir no envolvimento sexual com outra pessoa e no prazer vivenciado.

Dar atenção ao assunto significa entender que a minha sexualidade envolve como eu me sinto, como me vejo, como eu me toco, o que esse corpo significa para mim, minhas vontades e como posso manifestar elas, o que me desagrada, o que eu faço por mim e pelo meu corpo, minha alimentação, qualidade de sono, hábitos, enfim, em primeiro lugar, o que é meu e essa relação que eu tenho comigo. Depois vem a manifestação com o ambiente, como me comporto, me relaciono, até o envolvimento com a outra pessoa, incluindo o ato sexual.

A autoestima e a autoconfiança são a base para a sexualidade. Ter uma boa autoestima não significa achar tudo lindo, um corpo perfeito, porém, mesmo com algumas imperfeições, gostar desse corpo, sentir-se bem ao olhar no espelho, ao tocá-lo e ao ser olhado e tocado. Podemos melhorar (dentro das possibilidades de cada uma) o que gera uma insatisfação, mas devemos ter limite nessa busca pela perfeição, pois até nesse excesso pode atrapalhar uma sexualidade plena.

Um corpo saudável não é apenas pelo seu físico, mas uma saúde orgânica e emocional. Não adianta lutarmos apenas de um lado, pois a falha do outro se manifestará com intensidade. O saudável é o equilíbrio.

A complexidade da sexualidade feminina aparece na maior parte das vezes quando é desconhecida. Não falamos sobre, não investigamos, não procuramos dar atenção a ela, e tudo o que é desconhecido, fica muito mais difícil, e n as situações em que a nossa sexualidade se expressa com mais intensidade, como por exemplo no sexo, essa dificuldade estará presente.

Portanto o autoconhecimento é essencial para uma compreensão e uma vivencia de forma fidedigna a cada um de maneira subjetiva.

Nós mulheres, temos um hábito de justificar nossas alterações e dificuldades simplesmente por sermos mulher, como:

Mulher é assim mesmo, não gosta de sexo”. “É a TPM”. “Os hormônios me deixam assim…

Tudo bem que mulher possui uma alteração hormonal bem maior em seu ciclo comparado com os homens, mas precisamos realizar uma investigação atrás desses hormônios, como também o que podemos fazer para estabilizar o nosso emocional relacionado aos níveis hormonais, principalmente algumas mudanças de hábitos alimentares, vícios e comportamentais que podem provocar uma série de desconforto na vida da mulher e em sua sexualidade.

Sobre o assunto da mulher não gostar de sexo, não podemos seguir como regra. Assim como existem mulheres que não gostam, podem existir homens também (mais raro, mas pode). Tirando as questões hormonais (que sim, possuem diferenças entre homens e mulheres), o que acontece é que, como a nossa sexualidade é construída, perante o contexto social, educacional e cultural, há uma influência muito grande para a importância que vamos construindo sobre o assunto. Meninas desde crianças já escutam que é errado, que não pode, e para os meninos a informação pode ser levada de forma diferente.

Essa noção de que as mulheres não precisam e não gostam de sexo assim como os homens, é errônea, e faz algumas mulheres acreditarem que precisam se submeter a uma vida sexual sem prazer, simplesmente porque os homens necessitam, e as mulheres não.

Independentemente de ser homem ou mulher, ambos podem gostar de sexo e ter muito prazer. Cada um da sua forma, com a sua particularidade e subjetividade.

Logicamente existem sim diferenças entre ambos, como os níveis de hormônio para o organismo do homem e para a mulher. Outra diferença é quando falamos sobre o ciclo da resposta sexual.

Neste ciclo, o período entre desejo e excitação, para os homens acontece de forma mais rápida por conta da vascularização sanguínea no órgão sexual, e o tempo para as mulheres se sentirem excitadas e prontas para uma penetração precisa ser maior. Por isso a importância das preliminares acontecerem.

Existem algumas dificuldades que podem estar presentes na vida sexual da mulher, como a ausência de orgasmo, dores ou dificuldade na penetração, baixo desejo sexual, porém existem tratamentos. Além da consulta médica e caso necessite do tratamento da modulação hormonal, a psicoterapia sexual pode auxiliar nessa identificação do problema, possíveis causas e direcionamentos para o tratamento, podendo proporcionar uma autoconfiança dentro do autoconhecimento.

Enfim, gostaria de concluir que independente das diferenças, mulheres também podem vivenciar a sua sexualidade e sua vida sexual de forma mais satisfatória. Busque informação, invista em sua saúde!

Adriana Visioli

Adriana Visioli

Sobre Adriana Visioli

Psicóloga com especialização em Análise do Comportamento e Terapia Sexual e de Casal.
Cascavel - PR.

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