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UCE (Urticária Crônica Espontânea) – Até o Cristo Redentor veste essa camisa!

Através da divulgação na mídia, a urticária ganhou nome, sobrenome e deixou de ser conhecida simplesmente como “uma alergia”, mesmo porque quase sempre é tudo, menos alergia quando nos referimos a urticárias crônicas.

Dia primeiro de outubro foi instituído internacionalmente, desde 2014, o Dia Mundial da Urticária, com o escopo de informar, educar e divulgar esta patologia e seu tratamento. Através desta estratégia de mídia é possível alcançar um número enorme de indivíduos que até então estavam sem diagnóstico e sem tratamento adequados e portanto com uma qualidade de vida altamente comprometida, muitas vezes vítimas de preconceitos e exclusão social.

No Brasil, onde existem cerca de 1 milhão de portadores de UCE, a data também já marca há alguns anos um momento de conscientização sobre a doença e educação da população sobre as diferenças entre cada tipo de urticária. Vários atores se engajaram a esta causa e no último 1 de outubro o Cristo Redentor foi iluminado com o símbolo e as cores em prol da UCE.

Ok, ok, até aí eu entendi, mas… O que é exatamente essa UCE?

URTICÁRIA: urticas, isto é, lesões de pele elevadas com aspecto de vergão que mudam de lugar (“andam pelo corpo”), coçam muito e duram de minutos até 24 horas. Podem vir acompanhadas de inchaços em lábios, orelhas, olhos… Quando estas urticas desaparecem a pele fica intacta, não deixam marcas.

CRÔNICA: Para diferenciar das urticárias agudas que duram até 6 semanas e estas sim podem ser decorrentes de alergias alimentares e medicamentos, por exemplo.As urticárias crônicas são aquelas que duram meses, anos a fio.

ESPONTÂNEA: Afastadas outras causas de urticária crônica, como urticárias físicas, colinérgicas, associadas a alterações tiroidianas, a doenças do colágeno e até a alguns tipos de tumores, podemos estar diante de uma UCE, a qual está não raro relacionada a auto imunidade.Trata-se de um tipo de urticária que não é causada por nenhum agente externo e sim pelo próprio organismo da pessoa.

Popularmente se correlaciona a UCE ao stress, às emoções, o que pode sim estar relacionado aos agravos da urticária entretanto jamais será sua real e única causa.

UCE normalmente acomete adultos, sobretudo mulheres com mais de 35 anos que sofrem diariamente com as lesões, o prurido, o constrangimento, o prejuízo da qualidade de vida profissional, social, pessoal e até mesmo conjugal.

Sua duração vai de meses a vários anos. Eventualmente pode até mesmo recrudescer espontaneamente porém esta espera pode ser devastadora. Sendo assim deve-se procurar ajuda através de um Especialista que vá descartar outras causas de urticária crônica, definir o diagnóstico de UCE e implementar o tratamento adequado. Dados científicos atualizados nos mostram que até 92% dos pacientes podem ter sua doença controlada completamente através de tratamento adequado.

Sim, a UCE tem tratamento!

Diga-se de passagem existem protocolos internacionais que contemplam o seu tratamento e direcionam os Especialistas a fazê-lo de forma moderna, científica e documentada.O tratamento da UCE é baseado em uso de anti histamínicos (não corticoide!!!! Anti alérgico é outra classe de medicamentos completamente diferente!) de segunda geração em doses elevadas. Contudo 40% destes pacientes não respondem bem a tal terapêutica e então abre-se a possibilidade de outras medicações desde os imunossupressores, os anti leucotrienos até os modernos e altamente eficazes medicamentos imunobiológicos. O Omalizumabe é um medicamento da classe dos imunobiológicos, um anticorpo anti IgE que auxilia na modulação da auto imunidade envolvida nos casos de UCE.

Termino nossa conversa com uma frase de um portador de UCE:

A UCE não mata, mas acaba com a sua vida!

O bom de tudo isso é que a ciência nos proporciona documentação e aprendizado suficiente para que possamos mudar para sempre o curso da vida destas pessoas. Mudar para melhor.

Ana Paula Juliani

Sobre Ana Paula Juliani

CRM 13736 – PR
Especialista em Alergia e Imunologica clínica pela ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia)
Pediatra pela SBP ( Sociedade Brasileira de Pediatria)
Especialização em Alergia Alimentar na Universidade “La Sapienza”- Roma.
Membro do Comitê de Alergia Alimentar da ASBAI de 2013 a 2017.
Londrina - PR.

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